Os romances policiais de Agatha Christie inspiraram a Filhas de Gaia na criação de uma coleção composta por em macacões, vestidos e saias de comprimento médio a longo que contrastam transparências, fendas e tecidos fluidos como cetim, musseline e georgete de seda às peças de alfaiataria, que dão um toque masculino aliado ao uso de gravatas como cachecóis. Na cartela de cores das estilistas Marcela Calmon e Renata Salles predominam tons fechados, como preto, vinho, off-white, verde e camelo. Coques volumosos, ankle boots estilo oxford de Jorge Bischoff e meias ¾ vazadas completam os looks – sendo alguns ainda arrematados com elegantes bengalas.

Desfile Filhas de Gaia - Foto Carol Lancelloti <3
O cenário faz referência ao corredor de um hotel de luxo - ambiente típico das histórias de Christie, como em “O caso do Hotel Bertram” -, com portas espalhadas pela passarela, pelas quais passavam as modelos. Destaque para “Bela Lugosi’s Dead”(1979), da banda de rock gótico Bauhaus, como trilha sonora. Essa música foi marcada por uma cena do filme The Hunger (Tony Scott, 1983),

Já a Patachou leva Alfred Hitchcock para as passarelas. A estilista Érica Frade cria um jogo de luz e sombra com transparências, texturas e sobreposições em materiais como jacquard com fios dourados e seda, cetim, renda, tule e paetês, em silhuetas que oscilam entre linhas retas, volumes e formas arredondadas, inspirados na elegância sóbria de clássicos do cinema de suspense. As cores seguem essa linha: cinza, grafite, marinho e preto. Para completar, rabos de cavalo e sobrancelha marcada. As alusões ao cineasta não param por aí, estando presentes também nos sapatos trançados em couro, inspirados nas treliças de “Rear Window” (1954), e nos bordados com camadas cortadas a fio de tiras de cetim estonado de seda pura, referência às armas de assassinos como a faca de Norman Bates, personagem de Antony Perkins em “Psyco” (1960).
Acima, Daiane Conterato e Glorinha Kalil ao fundo, com turbante amarelo na cabeça.
Fotos da Cynthia Storck, do Two Sisters <3
“Piano Concerto para a Mão Esquerda” (1932), de Maurice Ravel, dá o tom do desfile. Escolhido pelo maestro João Carlos Martins, a atmosfera lúgubre do concerto dialoga com as trilhas que compõem as cenas de Hitchcock. Ravel compôs a obra para o pianista Paul Wittgenstein, que perdera o braço direito após ficar gravemente ferido em um assalto russo à Polônia durante a Primeira Guerra Mundial. O compositor levou longos nove meses para concluir a peça, que se tornou a mais famosa entre as compostas especialmente para Wittgenstein.







