3 de março de 2010

Coco (minha diva) Chanel

Olá queridões!

Como eu já havia adiantado, nesta quarta-feira, dia 24 de fevereiro, teve mais uma palestra do "De bem com a moda", com Paula Acioli.

Com a morte trágica de Alexander McQueen no início do mês, acreditei até que a vida e obra dele seriam tema desta palestra. Prevendo essa expectativa, Paula chegou avisando que resolveu não fazer esta homenagem agora, pois todo o clima de tristeza pela morte precoce do estilista não combinariam com a proposta do "De bem com a moda". Então, resolveu falar sobre a estilista que é sinônimo de elegância e poder feminino: Coco Chanel. Não a toa, foi o tema mais pedido pelas participantes do encontro.

Não preciso dizer que dei pulinhos internos de alegria, não é mesmo? Coco Chanel é minha estilista favorita. Ela foi uma mulher à frente de seu tempo, dando início a uma revolução no guarda-roupa feminino. Suas peças são atemporais e inspiradoras, sendo até hoje sinônimo de sobriedade e elegância. Depois da palestra tive mais certeza ainda de toda a admiração que sinto por ela. I <3>

Da mesma forma que no primeiro encontro, Paula apresentou fatos recentes antes de partir para o assunto principal. Ela nos mostrou uma matéria feita sobre o Fashion Rio, em que a jornalista escreveu: "Marinheiros roubam a cena da moda carioca [...] parecia que estavam vestidos de Chanel" (infelizmente, não lembro o jornal em que saiu a matéria, sorry!), e casos de carnaval, como a febre de réplicas da Chanel 2.55 no ombro das foliãs e o enredo da Porto da Pedra sobre a história da moda, com Marília Pêra desfilando lindamente de Coco Chanel. No caso dos marinheiros, a primeira coisa que nos vem à cabeça é exatamente o que a matéria nos remete, que eles estão vestidos à lá Chanel, quando, na verdade, foi a estilista que se inspirou na roupa desses lobos-do-mar. Na outra ponta, percebemos o quanto as peças criadas pela estilista são atemporais e permanecem até hoje como objetos de desejo.

Sala cheia! Alguém já me encontrou aí? Hihi.

Segundo Karl Lagerfeld, atual estilista da marca (com cargo vitalício e, segundo Paula, a própria reencarnação de mademoiselle Chanel, hahaha), "nenhuma outra criadora mulher fez sua moda tão marcante". Nós concordamos. Não é à toa que, há 100 anos, Coco Chanel dita moda. Desde sua primeira chapelaria, em 1916, que trocou toda a parafernália que a mulherada usava na cabeça por chapéus discretos e elegantes, até o famoso perfume Chanel nº 5, a estilista revolucionária foi um ícone de classe e elegância. Ela soube expressar a época em que viveu - e reconhecer isso, sem nenhuma modéstia - e ao mesmo tempo, fazer uma moda que fosse de seu gosto.

"Seguir a moda sim, não as tendências.

Eu sigo a moda, por isso criei meu próprio estilo"

Coco Chanel

Outra característica marcante da vida de mademoiselle Chanel destacada por Paula é o quanto a vida pessoal influencia no trabalho da estilista. Coco Chanel soube aproveitar as oportunidades, contatos e novos conhecimentos proporcionados por seus amigos e...amantes. Sim, amantes. Coco foi daquelas mulheres que acreditavam no amor. Por mais que isso possa parecer piegas e tão contraditório se levarmos em conta sua personalidade forte. Ela dizia que "mulher que não ama e que não é amada, não é nada". Desde Etiénne Balsan e Boy Capel, que financiaram o início de sua carreira (quem assistiu Coco avant Chanel levanta a mão!), abriram sua primeira chapelaria e foram inspiração para suas primeiras peças, podemos ver a importância que os relacionamentos tiveram na vida da estilista francesa.

Paula, pra variar, estilosíssima. Casaco e sapatos Chanel. Amei esse salto neon! <3

Influenciada por Balsan e Capel, Chanel aprendeu a montar cavalos e adaptou suas roupas para esta atividade. Boy Capel também a apresentou à alfaiataria britânica e, em viagem com ele à Riviera Francesa, Chanel ousou se vestir de maneira mais simples (se comparada aos vestidos cheios de camadas, babados e ziriguiduns usados na época).

Após a trágica morte de Boy Capel, a atriz Misia (aliás, uma das responsáveis por divulgar o trabalho da estilista) apresenta a Chanel o grão-duque Dmitri Pavlovich, o que desperta em Chanel o interesse pela cultura Bizantina. Ela passa então a desenvolver jóias e desenhar roupas com bordados do folclore russo. Foi Dmitri quem a apresentou ao perfumista que criou o famoso Chanel nº5. Diz a lenda que foi a quinta fragrância criada a que ela mais gostou. Daí viria o nome, embora "5" fosse também o seu número favorito. O frasco simples, de linhas retas, é baseado no frasco de loções masculinas - o que o destacava dos recipientes cheios de floreios dos demais perfumes femininos da época. Em tempo: Chanel dava uma grande importância ao uso do perfume, a ponto de fazer várias críticas sobre o seu uso. Um exemplo é a afirmação de que "uma mulher com perfume ruim não tem futuro".

O duque de Westminster, Hugh Richard Arthur Grosvenor, também foi um de seus relacionamentos importantes. Com ele, Chanel voltou à influência da alfaiataria britânica e seus casacos de tweed. Além disso, provavelmente a influência do duque e de Winston Churchill foi o que salvou Chanel de ser condenada por sua relação amorosa com um oficial de alta patente alemão, conhecido como Spatz, durante a 2ª Guerra Mundial. Chanel então se exilou durante 15 anos na Suíça. Para Lagerfeld, esse distanciamento foi de grande importância para a obra de Coco Chanel, que voltou com uma obra mais amadurecida - embora o seu desfile de retorno na Europa tenha sido muito mal recebido pela imprensa européia, que ainda a considerava uma traidora.



byMK - Comunidade de Moda: Coco Chanel - Inspirações

Gente, tentei fazer uma montagem com as referências do texto no ByMK.
Não reparem a péssima qualidade de algumas das imagens, foi minha primeira tentativa no site!

Na América, ao contrário, o retorno de Chanel foi muito bem aceito. A nova coleção incluía ítens que permanecem até hoje como ícones fashion: a bolsa 2.55 (referência ao mês e ano de lançamento) e o clássico tailleur Chanel. Ambos tiveram sua inspiração no período de exílio da estilista. Os casacos de matelassê e as bolsas com alças de correntes usadas pelos militares na 2ª Guerra Mundial ajudaram na idealização da bolsa 2.55, enquanto os clássicos casacões usados na região dos Alpes Suíços, nos tailleurs e casacos Chanel.

No fim das contas, o bate-papo com Paula Acioli sobre Chanel nos leva a pensar sobre a importância de conhecer o próprio tempo, a época vivida e a partir daí estabelecer um estilo ao mesmo tempo único, revolucionário, atemporal e clássico. Difícil? Sim. Mas Gabrielle Coco Chanel conseguiu. Ah, e aproveitar as oportunidades. Principalmente o que os amantes (risos) em potencial tem a oferecer.

---*---

O próximo encontro será dia 31 de março, quarta-feira. Quando eu descobrir o tema, atualizo aqui!

Ah, a Paula sugeriu alguns documentários sobre Coco Chanel. Eu não lembro onde foi que eu anotei. Se eu achar, posto aqui também. Qualquer coisa, pergunto de novo no próximo encontro. É bem mais confiável que meu post, né gente? Afinal, tudo isso aí é baseado em memórias e anotações soltas no meu bloquinho fashion. Hihi.

Beijos!

4 manifestos comunistas de uma gente sem fronteiras:

Monike disse...

Nossa, Cinthia, investe nessa linha jornalística livre, leve e solta nos próximos posts que o blog vai bombar. :)

Adorei.

p.s: podia falar da fase osbcura... não? hihi :p

beijão!

nath disse...

Concordo com a Monike.
Você DEVE investir nessa estilo de escrita jornalística, mas, ao mesmo tempo divertida.
Mesmo não conhecendo muito sobre moda, adorei o post.
Ficou muito bom.
Deu para compreender, perfeitamente bem, o que foi passado na palestra e ainda de quebra rir um pouco com seus comentários.
Já te disse várias vezes, mas...não custa nada repitir: não desista de perseguir seus sonhos, você consegue.
Já até estou vendo a Coco com outros olhos.
(Mas, não, eu não usaria a sandália com salto neon - hahaha)

Beijos, perua.

p.s.: eu te encontrei na foto, Wally. ^^

p.s.1: Passa lá no Abobrinhas! Finalmente (finalmente mesmo, depois de muitas tentativas), consegui mudar o template. o/

Vera Rorato disse...

O cara morreu, e por mais trágico que tenha sido, acredito que se ele estivesse vivo ele diria: "Vamos queridas, vamos a moda com alegria"...

Ficar triste é a pior coisa que vocês podem fazer por ele...

Bom, adorei o resumo sobre o encontro...

Bjus ^^!

Vera Rorato disse...

Passando aqui para falar um OI e agradecer pela sua visita... =D

Beijinhus... ^^