4 de abril de 2008

Não. Vou virar freira!

Não. Vou virar freira!
Dizem que certas coisas não podem ser esquecidas. No campo dos relacionamentos, tudo que é primeiro costuma ganhar o status de inolvidável: desde a primeira crise de paixonite aguda e burra, aos seis anos de idade, até o primeiro divórcio.

O grande estorvo de tudo isso é que a maior parte desse pioneirismo desencadeia a possibilidade do vice – logo, o primeiríssimo deu com os burros n’água e oferece, junto com a primeira decepção, a grande oportunidade de meter o pé (e todo o resto) na lama do segundo amor desenxabido.

Devido a essa ânsia amargurada em que o amor sofrido é o nosso, resolvi resgatar entre os primeirismos, a atitude que deveria ser lembrada como essencial à formação da psique humana: o primeiro fora que a gente dá.

Tem coisa mais divertida que dizer um sonoro NÃO quando estamos pouco nos lixando para o ser insistente e com bafo de cachaça que naquela festinha mais ou menos, cismou com nossa carinha linda? Nesse caso, por que não relembrar aquela resposta criativa e hilária do primeiro “vai-ver-se-tô-na-esquina” que dissemos? Afinal de contas, os que levamos já foram enterrados na mesma cova que os ex-cafas-duma-figa-que-não-sei-por-que-peguei...(E coooooospe no prato que te alimentoooou!!! Hahahahaha).

***
A primeira vez que um garoto pediu para ficar comigo foi na oitava série. Do alto dos meus 13 anos de idade, achava péssima essa história de “ficar”, acreditando na existência de um príncipe encantado e de um primeiro beijo mágico e apaixonado, com o nobre que seria meu marido para sempre e pai dedicado dos meus filhos. Tola inocente. Tsc.

Voltando à história, estavam eu e meus amiguinhos no pátio, lanchando à hora do recreio, quando um amigo de não-sabia-quem veio me “intimar” (esse verbete É o fim!) para o John Lennon, 15/16 anos, sétima série. Sim, JL, como eu e uma amiga o apelidamos. O ser era a encarnação do Beatle em início de carreira. Sabe cabelo tigelinha e rosto inexpressivo? Assim. Hibridizado com o Salsicha de Scooby-doo.

Fui forçada a ir conversar com a pessoa em questão. Não queria nem conhecer, meu NÃO era certo desde o início. Contra minha vontade, e pela risada geral do povo da oitava, fui. Arrastando a Nath comigo, of course. Afinal, amigas são para essas coisas...

JL: Oi!
Eu: Ahn...oi.
JL: Meu nome é John Lennon. E o seu?
Eu: Cinthia.
JL: Legal conhecer você. Será que a gente pode conversar melhor depois da aula?
Eu: Não dá.
JL: Por quê?
Eu: Porque não posso, ué.
JL: Por que não pode?
(E a Nath do meu lado...).
Eu: Porque...eu vou virar freira.
(Nathalia ficou azul).
JL: Sério?
Eu: É sério! Eu to aqui até completar 15 anos. Depois disso, vou pra um convento.
(Nathália ficou roxa).
JL: Poxa. Que pena. Ah, mas legal pra você...isso é...eu acho.
(Nathalia não agüentou. Saiu de perto, passando mal de rir).
Eu:
É, é sim. Então tchau, tá!

Nem preciso dizer que minha panelinha achou o máximo essa história. Riram até não poder mais, me pedindo a “bênção da madre”.

Enfim, se o garoto tivesse o mínimo de atributos principescos (não que eu fosse uma princesa da Disney...até porque eu era MUITO mais gorda e feiosa nessa época) talvez essa história não fosse tão bizarra e digna de um post. E quando digo atributos não falo de aparência (claro que isso conta, mas não é tanto assim...0=] ) mas de um mínimo de semancol, esperteza, inteligência pra perceber que eu não queria nada com ele. Quem insiste com quem NÃO quer, leva o que NÃO quer, ora bolas!!

No fim das contas, o mais difícil é crer que ele caiu na minha desculpa esfarrapada. Dá pra acreditar que John Lennon veio uma semana depois falar comigo, perguntando: “Poxa, mas é verdade mesmo?”...

O.o’

10 manifestos comunistas de uma gente sem fronteiras:

Luana F. disse...

"O ser era a encarnação do Beatle em início de carreira. Sabe cabelo tigelinha e rosto inexpressivo? Assim. Hibridizado com o Salsicha de Scooby-doo."

hum... eu adoro o Salsicha do Scooby. rs
vc sabe bem, né, Cinthia?

°Renata° disse...

rsrsrs Já gostei dessa história. Vou copiar e guardar tá? Quando eu postar aviso. rsrsrs

Ah...Eu estudo História PQ?

Obrigada pela visita! Um beijão

júlia faria disse...

bom, eu já conhecia essa história, mas lê-la assim, com todas essas palavras rebuscadas estilo cinthia, é ótemo! hahaha

cinthia, como vc foi insensível!!!
hahaha

bjo

Vanessa disse...

tbm conheço essa história...:P

acho q esse fora tb poderia ser super bem utilizado pela minha pessoa, visto que tenho tdo um passado de vida monástica na família ahahahaha.

p.s.: tinha 9 anos qnd dei o primeiro fora. O=)

Nath disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Toda a cena passou pela a minha cabeça aqui agora.
Cara, que hilário!
O pior é que ele veio mesmo depois de alguns dias te impregnar de novo:

JL: E aí? Você foi em um dos shows
da ilha?

Ci: Não. Eu não posso ir.

JL: Ah é, por causa da sua religião, né? Você é o que mesmo?

Ci: Eu vou ser freira.

Jl: ...

Detaçhe que nem católica você era né?
huhauahuahuahuahuahuahuahuahuahua

Quanta maldade!
O pior é que a gente ainda fica rindo disso depois.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Saudades do Wander e do Ricardo.
Mas... Viva a galerinha 3d para sempre! \o/

=*

John Lennon disse...

Poxa, então não era verdade. Depois daquele dia eu passei a pensar na vida como um conto de fadas, onde as pessoas pelas quais nos apaixonamos se tranformam em "Peter Pans" e saem voando por aí até chegarem à Terra do Nunca. É triste descobrir, depois de muitos anos, que, na adolescência o meu coração fora enganado pela heroína das minhas noites solitárias, companheira dos meus pensamentos sórdidos: vc. Hoje, quase sem querer, lhe encontro num blog divulgando tal história como se meu último ato de tentar saber a verdade através do "poxa, mas é verdade mesmo?..." fora subjulgado, maltratado por suas reações.

Graça aos anjos e aos deuses, hoje em dia sou um homem que não guarda mágoas. Freud não explicaria as noites que pouco dormi tendo fantasias com uma freira que não existia. Fiquei anos e anos mergulhado num universo paralelo materializado em masturbações singelas e sinceras por uma pessoa que, simplesmente, mentiu pra mim.

Tudo bem. Eu perdoo vc.
Bjos, minha querida!

Desculpe a brincadeira. rs

Paulo Fernando disse...

Só para constar: eu sou o John Lennon, do comentário acima. rs

Bjos e, novamente, desculpe a brincadeira. Às vezes enlouqueço com textos alheios. rsrs

Ah, esqueci de dizer que, apesar da mentira para JL, gostei muito do que li.

Bjokas de novo.
Fui!

Thiago Kuerques disse...

Sensacional. Mas discordo de umas coisas, já outras são comuns a mim tambem.
O fato de insistir é um caso atipico. Moça, ate a gente perceber que não é doce foi-se o fora. Agora o JL era lerdo. Essa da freira é muito antiga. Menos pior só que aquela que voce diz que tem "namorada" apontando pra amiga.
Enfim, otimo.
Beijos

Nath disse...

Perua, selinho novo para você lá no meu blog!
Pega lá viu?
beijão!
saudades de tu!

lancelloti disse...

E, pela primeira vez, Cinthia deu um fora ao John Lennon! rs A primeira mulher dele era Cintia, sabia? haha
Adorei... freira. Essa nem eu pensei!
Beijo!