12 de janeiro de 2011

Fashion Rio: Mistério nas passarelas


Desfile Filhas de Gaia - Foto Carol Lancelloti <3

Esta não é uma notícia retirada das páginas policiais muito menos o título de algum romance meia-boca lançado oportunamente durante a semana de moda carioca. Mistério, suspense e trilhas sonoras cheias de história deram o tom das coleções da Filhas de Gaia e da Patachou para o inverno 2011. Fiquei com MUITA vontade de ler alguma aventura de Poirot e rever James Stewart e Grace Kelly espiando pela janela!

Os romances policiais de Agatha Christie inspiraram a Filhas de Gaia na criação de uma coleção composta por em macacões, vestidos e saias de comprimento médio a longo que contrastam transparências, fendas e tecidos fluidos como cetim, musseline e georgete de seda às peças de alfaiataria, que dão um toque masculino aliado ao uso de gravatas como cachecóis. Na cartela de cores das estilistas Marcela Calmon e Renata Salles predominam tons fechados, como preto, vinho, off-white, verde e camelo. Coques volumosos, ankle boots estilo oxford de Jorge Bischoff e meias ¾ vazadas completam os looks – sendo alguns ainda arrematados com elegantes bengalas.

Desfile Filhas de Gaia - Foto Carol Lancelloti <3

O cenário faz referência ao corredor de um hotel de luxo - ambiente típico das histórias de Christie, como em “O caso do Hotel Bertram” -, com portas espalhadas pela passarela, pelas quais passavam as modelos. Destaque para “Bela Lugosi’s Dead”(1979), da banda de rock gótico Bauhaus, como trilha sonora. Essa música foi marcada por uma cena do filme The Hunger (Tony Scott, 1983), em que David Bowie, no papel de um vampiro que ataca suas presas com ankhs por não ter dentes afiados, sai com sua companheira, interpretada por Catherine Deneuve, à caça de uma vítima.

Agatha Christie, a Rainha do Crime

Já a Patachou leva Alfred Hitchcock para as passarelas. A estilista Érica Frade cria um jogo de luz e sombra com transparências, texturas e sobreposições em materiais como jacquard com fios dourados e seda, cetim, renda, tule e paetês, em silhuetas que oscilam entre linhas retas, volumes e formas arredondadas, inspirados na elegância sóbria de clássicos do cinema de suspense. As cores seguem essa linha: cinza, grafite, marinho e preto. Para completar, rabos de cavalo e sobrancelha marcada. As alusões ao cineasta não param por aí, estando presentes também nos sapatos trançados em couro, inspirados nas treliças de “Rear Window” (1954), e nos bordados com camadas cortadas a fio de tiras de cetim estonado de seda pura, referência às armas de assassinos como a faca de Norman Bates, personagem de Antony Perkins em “Psyco” (1960).


Desfile da Patachou.

Acima, Daiane Conterato e Glorinha Kalil ao fundo, com turbante amarelo na cabeça.

Fotos da Cynthia Storck, do Two Sisters <3


Antony Perkins como Norman Bates

“Piano Concerto para a Mão Esquerda” (1932), de Maurice Ravel, dá o tom do desfile. Escolhido pelo maestro João Carlos Martins, a atmosfera lúgubre do concerto dialoga com as trilhas que compõem as cenas de Hitchcock. Ravel compôs a obra para o pianista Paul Wittgenstein, que perdera o braço direito após ficar gravemente ferido em um assalto russo à Polônia durante a Primeira Guerra Mundial. O compositor levou longos nove meses para concluir a peça, que se tornou a mais famosa entre as compostas especialmente para Wittgenstein.

6 de outubro de 2010

Gente nova no Metafísica!

É impossível não perceber que o Metafísica tem estado um tanto largado. Não que eu seja a relapsidão em pessoa (ok, talvez eu seja), mas tenho lá minhas complicações...faculdade, trabalho, blog do trabalho, freelas...sem contar as obrigações sociais, não é mesmo?

Por isso, fiquei tão feliz quando a Júlia Faria, estudante de jornalismo, estagiária de uma rádio carioca, autora-colaboradora do Guarda-chuva Cultural e blogueira-poetisa do Nada Original, além de ser uma amiga superquerida da ECO (Escola de Comunicação - UFRJ), aceitou o convite de colaborar com o Metafísica!! E ela já está cheia de ideias de novos posts!

Conheçam nossa nova blogueira! =D

Pretendemos fazer algumas reformulações no blog e adequá-lo para nosso trabalho de parceria. Em breve vocês poderão conferir os textos maravilhosos da Juju por aqui. ;)

Um beijo e até breve!

29 de maio de 2010

Alice no País da Cidade Maravilhosa

Não disse que a agenda tá cheia nesta semana?

Quarta-feira, dia 26 de maio, teve palestra do ciclo De Bem com a Moda, com a queridíssima Paula Acioli; quinta teve encontrinho de leitoras e blogueiras, organizado pela (fofa!) Mariah Bernardes, do Blog da Mariah e, nem preciso dizer, que a Cidade Maravilhosa está puro glamour com toda a movimentação do Fashion Rio, não é mesmo?

Então vamos parar de enrolação que assunto é o que não falta! ;D

Alice no País da Cidade Maravilhosa

Esse foi o tema da palestra do mês que a Paula planejou pra gente. A overdose de informação e de "Alices" por toda a parte, desde (muito) antes do lançamento do filme de Tim Burton, atraiu o interesse de muita gente. Desde debates metafísicos (haha) sobre a história a acessórios, roupas e joias exclusivas sobre o tema. É Alice pra todos os gostos e tamanhos. A moda, lógico, não ficou de fora dessa e está presente desde os figurinos do filme (escolhidos estrategicamente e super significativos) até a estampa cansativa de ícones do alicismo em tudo o que se pode imaginar.

Como em todo encontro, Paula fez o link do tema a partir do nosso cotidiano: Em uma das edições do Rio Show, a matéria de capa "Alice na cidade das maravilhas" apresenta um guia de locais na cidade do Rio onde a personagem se sentiria em casa, no mundo das maravilhas. "Alice é uma figura jovem, como a carioca", define. Outra ponte que a palestrante estabelece é entre o personagem Chapeleiro Maluco, que para ela é no filme o elo fundamental entre Alice e o mundo exterior, com o trabalho meticuloso de um chapeleiro de verdade. Para isso, Paula convidou o artista (não tem adjetivo melhor, gente!) Denis Linhares, que possui uma chapelaria em Copacabana, para falar sobre o trabalho dele. (Daqui a pouco conto mais detalhes sobre o convidado!)

Paula também chamou atenção para o fato de a Disney querer revitalizar os clássicos, embora tenha a consciência de que as coisas mudaram. Hoje, ela precisa conquistar a tal "Geração Y". A Alice de Tim Burton representa bastante essa nova geração. Ela não é mais aquela menininha da adaptação Disney dos livros de Lewis Caroll. É agora uma jovem, de 19 anos. Se formos contextualizar, até o buraco onde Alice cai pode corresponder à internet, às redes sociais. "Ela faz o networking dela ali, vai conhecendo todo o tipo de gente naquele mundo louco. São pessoas com problemas como agitação, pressa, insegurança - como todos nós", disse Paula.

- Alice é um filme delicado, uma ode à personalidade humana - acredita. De acordo com a professora, até o nome Alice é emblemático nas obras cinematográficas e, em geral, permeia um sentido de mudança, de transformação e busca. Exemplo de Alice no cinema: Alice Ayres Nathalie Portman em Closer. (tem mais gente. Lembramos de várias na palestra, mas eu não consegui anotar todas e minha memória é péssima...hahaha. Se vocês se esforçarem, aposto que se lembrarão de um monte de outras Alices e tantas outras versões do clássico de Caroll...).

Quanto ao figurino, a referência elisabetana (sec XV, XVI) é bastante forte. Nota para o nome da rainha vermelha, Iracebeth (segundo Paula, uma possível mistura de Ira + Ice + Elisabeth) e para suas roupas: cores quentes, espartilhos e corações. No caso do figurino do personagem de Johnny Depp, a referência vai além da estética vitoriana e da figura do chapeleiro dessa época. Quem aí percebeu que as roupas do Chapeleiro Maluco mudam de cor de acordo com o os sentimentos dele? A partir desse dado, cria-se um link com os materiais tecnológicos que tem chegado às passarelas...e, se a gente quiser forçar um pouquinho mais, quem não teve #MEDO do vestido de leds que a Katy Perry usou no baile do MET?


tirei a foto do Modices =]

Já Mia Wasikowska usou 7 looks diferentes para interpretar Alice (Não vou mostrar pra não fazer spoiler de todos, né? Quem quiser ver, joga no Google! =]). O primeiro é bem vitoriano, embora ela não use espartilho e deixe os pés à mostra, o que não era comum para moças da época. O vestido é azul, cor que representa a personagem, e tem bordados na barra - remetendo a uma atmosfera ainda infantil. O segundo vestido é feito com o tecido da combinação, mais fluido, cheio de babados, com toda uma influência contemporânea, pré-rafaelita. De acordo com Paula, poderia muito bem ser um Stella McCartney! Já o terceiro ela usa quando chega à corte da Rainha Vermelha. É todo estruturado, de cores quentes. É um momento de afirmação para Alice e, por ser usado em um palácio, tem toda aquela pompa da alta costura, podendo ser um Galliano ou McQueen. O quarto look é uma túnica branca de influência indiana (quem leu "Esta Noita a Liberdade"? A Índia foi colonizada por ingleses durante muito tempo!), relacionada a um período de descoberta da personagem. Depois, vem a armadura que ela usa durante a batalha e, por fim, de volta aos tons azulados, uma roupa mais adulta, menos montada, que já corresponde ao declínio dessa pompa vitoriana, com menos volume e mais praticidade.

A partir desses looks da new Alice, já deu pra sentir a influência que vamos ter no mundinho fashion e nas passarelas! Mia Wasikowska inclusive já apareceu na Teen Vogue (com os cabelos já adoravelmente curtíssimos!) em um vestido drapeado, "neo-balonê", com volume e cintura marcada, bastante feminino e naquele azul-alice (que a gente ama!) em um cenário superflorido! Essas tendencinhas, misturadas a todas as outras referências do filme - um misto de tudo que é lúdico, surreal, onírico, orgânico, adoravelmente assustador e ao mesmo tempo tão bonito quanto estranho - já podem ser vistas nos editoriais, desfiles e apostas das marcas para as novas coleções que estão chegando aí! É só dar uma olhada nas coleções doces e oníricas, inspiradas no céu, da Maria Filó, apresentada no Fashion Business, e da Cantão, no Fashion Rio. Outras marcas, como Ellus e H Stern, tem inclusive produtos licenciados pela Disney para uso da marca Alice.

Antes de chamar o convidado para o bate-papo, Paula fez uma brincadeira correspondendo cada personagem do filme a um figurão do mundo da moda! Eu me diverti horrores com essa correspondência! Veja se você concorda:


Alice - Gwyneth Paltrow

Chapeleiro Maluco - John Galliano

Rainha Branca - Donatella Versace

Rainha Vermelha - Vivienne Westwood

Tweedledum e Tweedledee - Jean Paul Gautier

Gato - Karl Lagerfeld

Coelho branco - Mc Queen

"Qualquer um pode ir à cavalo ou de trem. Mas o melhor jeito de se viajar é de chapéu"

Com essa frase do filme, que de uma maneira tão bonita valoriza as ideias e o nosso conhecimento, Paula convidou Denis Linhares para compartilhar suas experiências como chapeleiro. Ele contou que sua a carreira começou na extinta TV Manchete, como figurinista, produzindo chapéus cênicos, e que a dedicação dele à chapelaria começou há dez anos, quando em um desfile, as pessoas se interessaram muito mais pelo acessório do que pelas roupas.

Segundo ele, a chapelaria é uma arte enraizada na cultura britânica e, como tal, constitui uma tradição. Os chapéus e cartolas produzidos por ele são costurados à mão e são usados principalmente materiais como algodão e linho. Uma cartola pode demorar de 8h a 10h para ficar pronta! Para Denis, a produção desses acessórios não é um trabalho apenas relacionado à moda, mas também ao comportamento. É importante saber a ocasião em que vai ser usado e se a peça combina com o estilo e personalidade da pessoa. Por isso, a importância da consultoria: "você coloca um chapéu e se transforma". Afinal, o chapéu deve fazer parte de um contexto. "É mais importante conhecer sobre chapelaria que fazer chapéu. Porque isso puxa moda, roupa, sapato...você aprende tudo", afirma o artista.

Os arranjos e chapéus de Denis Linhares, que tem um ateliê em Copacabana, já ornaram a cabeça de gente famosa e, no último carnaval, se tornaram queridinhos da DIVA Madonna & cia!






No fim do encontro, foram sorteadas uma mini réplica da cartola do Chapeleiro Maluco feita por Denis especialmente para o De Bem com a Moda e uma pulseira inspirada em Alice da Francesca Romana Diana! Eu não ganhei nenhum dos mimos...mas eles foram lindos, um luxo! Se eu conseguir as fotos do dia, mostro pra vocês!

Sobre o De Bem com a Moda, foi isso! Aguardem em breve as histórias do Fashion Rio!

Mil beijos!!

(ps: Gente, todas as fotos são googleadas! Hahaha. É só clicar na imagem que direciona para o link de onde peguei emprestado! Se os donos não quiserem permitir esse abuso inocente de minha parte, é só avisar que tiro na hora a imagem! =])

Encontrinho de blogueiras!

Pessoas!

Agenda cheia!! Além da palestra "De bem com Moda", na quarta (post em breve, I promisse!!) e do Fashion Rio (♥) já ter começado, nesta quinta-feira, dia 27/05, teve o encontrinho de blogueiras e leitoras organizado pela fofíssima Mariah Bernardes, do Blog da Mariah! A paulista conseguiu o feito de reunir uma mulherada incrível! Fomos quase 30 garotas, enlouquecemos os garçons do Gula Gula com tanta falação! Hahahaha

Foi maravilhoso rever Mel Salvi, do Too Many Comments, a Érica Camargo, do My Fashion Lounge, e conhecer as fofas Monalisa Ortiz, do Blog my Suggar, Lalá Noleto, do Style, a Fê Cavalcanti, do The Material Girls, A Juliana Ferraz, do Viegraphique, a Marcella Franco, do Cloah Acessórios, além de tantas outras meninas lindas!

Confiram algumas fotos do nosso encontrinho! São da Marcella, do blog Cloah Acessórios. Algumas das meninas já fizeram posts sobre o encontro! Aproveite e dê uma olhadinha no blog delas também!!

;D





24 de maio de 2010

Power of Blondies?


Agora que o Modices publicou, finalmente posso contar minha aventura cabeleirística!

Vou dizer logo, assim, na lata: estou loira. Não, eu não caí de cabeça em um balde de água oxigenada. Também não resolvi assumir minha verdadeira essência...hahahaha

Há duas semanas, respondi um tweet do @Modices, perguntando quem toparia fazer um novo tratamento para luzes. Eu, que já havia feito algumas luzes discretas há algum tempo, me candidatei. Queria arriscar mais. Para isso, nada melhor que um combo gratuito de "cabelo novo + tratamento" pra melhorar o dia, a semana, o mês, o ano, a vida, não é mesmo? Querem saber como ficou? Então confiram a matéria do Robert Tavares - Clique aqui!

Enquanto isso, vou testando se são verdade todas aquelas histórias sobre o poder das loiras e da preferência por elas...digo, nós! Hihi.



Beijos!